Jesus então olha para o homem, que é surdo e fala dificilmente, e o leva para fora da cidade. E ali distante da multidão, põe-lhe os dedos nos ouvidos e lhe toca a língua com saliva, num ritual que pode parecer totalmente extravagante ordenando que se abram em oração e cura.
É muito provável que esse homem lacrado, fechado como um cofre tivera os seus sentidos bloqueados em razão de algum trauma muito forte, pois não apresentava, aparentemente, nenhum obstáculo, do ponto de vista físico, mas existia um mundo de complexos dentro dele. Jesus não o cura na presença de outras pessoas. Ele o tira da multidão não se encontrava preparado para receber um milagre publicamente. Ser objeto de observação. Há um tipo de fragilidade nele que o inibe que o impede de se expor, de se deixar ver. E Jesus, com toda a sua sensibilidade divina, todo o seu respeito pelas complexidades humanas, olha para aquele homem e chega a esta conclusão. Retira-o dali leva-o para um lugar mais afastado, mais solitário, onde lhe faria o milagre.
Então podemos dizer que, é provável que grande número de moradores dos lugares por onde Jesus tinha de passar para ir a Galiléia, beira-mar, fossem sabedores da sua chegada a esses lugares. Pela narração do Evangelista vê-se que, de passagem pelo território de Decápole, uma multidão foi ao seu encontro ou estacionou na casa em que Ele se hospedara. E dentre essa multidão vinha um surdo e gago conduzido, talvez, por parentes ou amigos que desejavam vê-lo livre do mal que o oprimia.
Jesus viu logo que se tratava de um caso perfeitamente curável, mas que o trabalho da cura não podia ser feito diante de mil olhos curiosos. Era um caso que requeria certa homogeneidade de idéias, certas vibrações simpáticas, e que só alguns podiam presenciar, sem estorvar a ação que Ele tinha de empregar e, quem sabe, também a ação libertadora, que Ele teria de fazer intervir para que a língua do gago se "despregasse".
Neste caso não se pode saber, porque a narração não diz se se tratava de "língua presa" por alguma película carnal, como acontece em certos indivíduos, ou por desequilíbrio de vitalidade, ou por influência de algum espírito maligno ou zombeteiro, que agisse no homem para se divertir com a sua gagueira.
Não consta desta passagem que Jesus expelisse espírito algum, mas que o Mestre se limitou a pôr um pouco de sua saliva na língua do gago. Denota isso que a gagueira ou moléstia estava localizada na própria língua, não era um efeito de lesão da espinha, do cérebro ou de algum órgão mestre que tivesse influência sobre a língua. E tanto é assim que só com a aplicação direta no órgão relutante o doente se restabeleceu.
A surdez podia também ter por causa a paralisação funcional do nervo auditivo, ou a ação de um espírito que estivesse a paralisar esse órgão. Não podemos dizer ao certo se tratava de uma ou de outra coisa, mas Jesus já havia feito o seu diagnóstico, e prognóstico: pôs os seus dedos nos ouvidos dele e, aplicando-lhe saliva à língua, ergueu os olhos ao céu, deu um suspiro, e disse: Efatá; e eis desfeita a prisão da língua e abertos os ouvidos do surdo.
Jesus, de olhos erguidos para o céu, sorveu o fluído da vida que deveria ativar a circulação nos membros adormecidos e vacilantes do enfermo e, com aquela convicção inalterável da cura do doente, disse: Efatá! E o homem recuperou os dois sentidos que contava perdidos.
E finalizando, não importa se você é surdo, mudo ou gago Jesus esta pronto para te curar, creia nisso.
"Em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo Amém"..
